
No clima do Dia da Criança, que é nesta terça, dia 12, comecei a rememorar a minha infância e vi o quanto nós, da minha geração (os que estão com 30 e poucos anos), fomos privilegiados se compararmos com as crianças de hoje.
Não tínhamos computador, internet, videogames supermodernos, tantos compromissos... E éramos tão felizes assim. Podíamos brincar na rua, jogar vôlei, futebol, “taco”, bolita, andar de bicicleta, brincar de pega-pega, de esconde-esconde, até a noite, no meio da rua ou na casa de alguém e nada acontecia a não ser algumas leves “escoriações” em razão de quedas desastradas.
Os nossos compromissos eram a escola e a catequese, quando muito alguma pesquisa que nos tomava uma tarde inteira na biblioteca, porque não tínhamos a famosa internet. Precisávamos ler, buscar entre muitos livros já que não tinha o Google para pesquisar pela gente, e daí, copiávamos tudo... As meninas, normalmente, ainda passavam a limpo para ficar mais caprichado.
Não tínhamos brinquedos tão modernos, então usávamos a criatividade para inventá-los. Criar, fantasiar, sonhar... Tínhamos isso todos os dias. Buscávamos livros de aventura para satisfazer a nossa necessidade de “fantasia” – Ilha Perdida, Cachorrinho Samba, a Coleção Vaga-Lume... Desenhos animados na TV eram mais ingênuos, menos fantasiosos e agressivos.
Não nos preocupávamos com a violência, não precisávamos ficar fechados dentro de casa, podíamos ficar um dia inteiro na rua sem correr riscos, a não ser o de tomar umas palmadas da mãe, o que era perfeitamente normal e aceitável e que nos ajudou a conhecer a palavra “limite”, o que hoje poucas crianças conhecem.
Era tão boa aquela época, não existiam tantas crianças obesas, porque elas não precisavam de dieta e nem de academia, porque comiam frutas direto do pé, corriam o dia inteiro, se exercitavam, viviam. Era tão bom quando juntávamos as moedas para comprar balas, “Lolo”, Fanta Uva, Laranjinha, merengue, maria-mole... Tinha um sabor inesquecível, o sabor de infância, de felicidade e liberdade.
É, parece saudosismo, mas sinto saudades da infância, mas daquela infância... Hoje as crianças ficam fechadas nos seus quartos, distantes dos pais, presas aos computadores e aos jogos eletrônicos, seus amigos são virtuais, têm mil compromissos, escola, inglês, academia... E deixam de aproveitar o descomprometimento dessa idade. Pois é, nós fomos felizes e não sabíamos e pena que nossas crianças não poderão viver essas experiências, pois elas poderiam fazer muito bem à formação de suas personalidades. Mas fazer o quê, o mundo mudou, pena que talvez não tenha sido para melhor.
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